1º de Outubro: direitos, longevidade e inclusão da pessoa idosa
O 1º de outubro, marcado pelo Dia Internacional das Pessoas Idosas, é uma oportunidade para celebrar os avanços conquistados na garantia de direitos e, ao mesmo tempo, refletir sobre os desafios que ainda atravessam o envelhecimento no Brasil.

Mais do que uma etapa da vida, envelhecer com dignidade envolve autonomia, participação social, acesso à saúde, educação, cultura, trabalho, convivência e respeito. Nesse contexto, o combate ao idadismo, a discriminação baseada na idade, é fundamental para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
No Brasil, um marco importante nessa trajetória foi a criação do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003), posteriormente atualizado pela Lei nº 14.423/2022. A legislação assegura direitos às pessoas com 60 anos ou mais e estabelece a proteção integral, garantindo oportunidades e condições para a preservação da saúde, da dignidade e do desenvolvimento social, intelectual e cultural.
O envelhecimento da população brasileira também evidencia a importância de políticas públicas e ações institucionais voltadas à longevidade. De acordo com o Censo Demográfico 2022, o Brasil tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, correspondendo a 15,8% da população. O número representa um crescimento de 56% em relação a 2010.
Educação e aprendizagem ao longo da vida
O direito à educação não termina com a juventude. O acesso ao conhecimento, à cultura e à formação ao longo da vida contribui para a autonomia, a participação social e a qualidade de vida das pessoas idosas.
As universidades têm papel importante nesse processo, seja por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, seja pela criação de espaços de convivência, produção de conhecimento e participação social.
Na Universidade Federal de Goiás (UFG), essas discussões vêm sendo fortalecidas por meio de diferentes iniciativas. O Núcleo Interdisciplinar em Envelhecimento, NIPEE UFG 60+, criado em 2024, articula ensino, pesquisa e extensão e tem entre seus objetivos promover o envelhecimento saudável e participativo, ampliar a produção de conhecimento e fortalecer a participação das pessoas idosas na Universidade.
Entre as ações do Núcleo está também a discussão sobre a ampliação da presença de pessoas com 60 anos ou mais nos cursos de graduação e pós-graduação, reconhecendo que o aprendizado acontece ao longo de toda a vida.
A UFG também mantém participação institucional no Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa de Goiás (CEDPI/GO). Para o biênio 2026–2028, as professoras Ruth Losada de Menezes e Valéria Pagotto foram reconduzidas como representantes da Universidade no colegiado, fortalecendo a articulação entre produção de conhecimento, políticas públicas e defesa dos direitos da população idosa.
Preparação para novas etapas da vida
O envelhecimento também envolve a construção de novos projetos de vida. Nesse sentido, a UFG desenvolve o Programa de Preparação para Aposentadoria (PPA), realizado pela Diretoria de Atenção à Saúde do Servidor, vinculada à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, em parceria com o NIPEE UFG 60+.
A edição de 2026 abordou aspectos emocionais, financeiros, sociais e de saúde relacionados à transição para a aposentadoria, além de estimular a construção de novos projetos e propósitos de vida.
A experiência da Universidade também foi apresentada, em setembro de 2026, no 8º Fórum & Festival Longevidade e no III Congresso Internacional Envelhecer com Futuro, em São Paulo, ampliando o diálogo sobre envelhecimento, saúde, cuidado, cultura e qualidade de vida.
Universidade, cultura e protagonismo
A inclusão da pessoa idosa também se constrói por meio da cultura e da valorização de suas histórias.
Na UFG, o projeto de extensão Viver em Cena, desenvolvido pelo Museu Antropológico, utiliza o teatro como instrumento de promoção da saúde emocional, inclusão social e combate ao idadismo. A iniciativa reúne mulheres idosas na Companhia de Teatro Senhoras do Cerrado e aborda temas relacionados à memória, cidadania, direitos humanos e envelhecimento.
Em 2026, o projeto apresentou o espetáculo Invisibilidade, levando ao público reflexões sobre o apagamento social e a valorização das trajetórias de mulheres idosas. A iniciativa demonstra como a arte pode contribuir para dar visibilidade às experiências e aos direitos dessa população.
Envelhecimento como pauta de toda a sociedade
A universidade também é espaço de produção de conhecimento e reflexão sobre os desafios contemporâneos do envelhecimento.
Em 16 de outubro de 2026, a UFG realizará o 2º Simpósio Interdisciplinar em Envelhecimento, com o tema “Envelhecimento em ação: experiências em formação, pesquisa, extensão e cuidado”.
A programação reúne discussões sobre participação social, qualidade de vida, formação interdisciplinar, cuidado, pesquisa, longevidade, direitos da pessoa idosa, controle social, políticas públicas, aposentadoria e novos projetos de vida.
Essas iniciativas demonstram que pensar o envelhecimento exige ir além da perspectiva do cuidado. É necessário reconhecer a pessoa idosa como sujeito de direitos, produtora de conhecimento, participante da vida social e protagonista de sua própria história.
Combater o idadismo é construir inclusão
Apesar dos avanços, o idadismo ainda se manifesta em diferentes espaços da sociedade, inclusive nas instituições de ensino, no mercado de trabalho, nos serviços de saúde e nas relações cotidianas.
Combater essa forma de discriminação significa questionar estereótipos que associam a velhice à incapacidade, à dependência ou à invisibilidade. Significa também criar condições para que pessoas de diferentes gerações possam conviver, aprender e contribuir umas com as outras.
Nesse sentido, a inclusão da pessoa idosa é também uma responsabilidade da universidade. Promover acessibilidade, participação, respeito e oportunidades de aprendizagem ao longo da vida faz parte da construção de uma instituição verdadeiramente democrática.
O conhecimento não tem idade
Celebrar o 1º de outubro é reconhecer as conquistas alcançadas e reafirmar que ainda há caminhos a percorrer.
É defender que envelhecer com dignidade significa ter direito à participação, à educação, à cultura, à saúde, à convivência e à autonomia.
Na UFG, iniciativas de ensino, pesquisa, extensão, cultura e cuidado mostram que a longevidade pode ser acompanhada de participação, conhecimento, cultura e novos projetos de vida.
Porque o conhecimento não tem prazo de validade, e a inclusão também não deve ter idade.💚
Programação dia 16/10/2026
13h30 – 13h45: Abertura institucional
13h45 – 14h05: Abertura cultural - Desfile "Das mãos que tecem rastros de linha"
14h05 – 14h50: Painel 1 - Participação, movimento, território e qualidade de vida
14h50 – 15h35: Painel 2 - Formação interdisciplinar e cuidado
15h35 – 16h05: Coffee break e exposição de experiências
16h05 – 16h50: Painel 3 - Pesquisa e longevidade: cognição, demências e viver mais
16h50 – 17h35: Painel 4 - Direitos da pessoa idosa, controle social e políticas públicas
17h35 – 18h20: Painel 5 - Aposentadoria, longevidade e novos projetos de vida
18h20 – 18h30: Encerramento
Referências
BRASIL. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Estatuto da Pessoa Idosa. Atualizada pela Lei nº 14.423, de 2022.
IBGE. Censo Demográfico 2022: População por idade e sexo. Pessoas de 60 anos ou mais de idade.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. Núcleo Interdisciplinar em Envelhecimento UFG 60+. Conheça o Núcleo.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. Núcleo UFG 60+ segue representando a Universidade no CEDPI/GO. 2026.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. UFG abre inscrições para o Programa de Preparação para Aposentadoria 2026. Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas. 2026.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. Na contramão do etarismo: pesquisa revela trajetórias de estudantes 60+ na UFG. Núcleo Interdisciplinar em Envelhecimento UFG 60+.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. Senhoras do Cerrado levam arte e cidadania à Conferência de Saúde. Museu Antropológico. 2026.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. Inscreva-se no 2º Simpósio Interdisciplinar em Envelhecimento da UFG. 2026.
Categorías: NOTÍCIA