Agosto Lilás: Todas as Mulheres. Todos os Direitos.
Agosto é o mês dedicado à conscientização sobre a violência contra as mulheres. Em 2026, a campanha Agosto Lilás destaca os 20 anos da Lei Maria da Penha e convida a sociedade a refletir sobre a promoção dos direitos, a prevenção da violência e o fortalecimento das redes de proteção.

O que é o Agosto Lilás?
Você já se perguntou por que o mês de agosto é marcado pela cor lilás? A resposta está na história de uma das leis mais importantes do país na proteção dos direitos das mulheres: a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), sancionada em 7 de agosto de 2006. É justamente em homenagem a essa conquista que agosto se tornou o mês de conscientização e mobilização pelo enfrentamento à violência contra as mulheres. Ela foi escolhida por simbolizar a luta pela igualdade de direitos, pela justiça social e pela valorização da dignidade humana. Mais do que uma identidade visual, o lilás representa o compromisso coletivo com a construção de uma sociedade onde nenhuma mulher tenha seus direitos violados.
A campanha Agosto Lilás nasceu em 2016, no estado de Mato Grosso do Sul, com um propósito simples e urgente: transformar o aniversário da Lei Maria da Penha em um momento de informação, conscientização e mobilização da sociedade no enfrentamento à violência contra as mulheres. A iniciativa inspirou outros estados, ganhou alcance nacional e, em 2022, tornou-se oficialmente uma campanha de todo o país.
Mas o Agosto Lilás vai além da divulgação de informações. É um momento para refletir sobre o respeito, a igualdade e o direito de todas as mulheres viverem com segurança, dignidade e liberdade. Também é uma oportunidade para conhecer os sinais da violência, fortalecer as redes de apoio e lembrar que enfrentar esse problema é uma responsabilidade compartilhada entre instituições e toda a sociedade.
Por que a Lei Maria da Penha mudou a história do Brasil?
Você sabia que, até pouco mais de 20 anos atrás, muitos casos de violência doméstica eram tratados como infrações de menor gravidade? Em diversas situações, os agressores recebiam punições leves, como o pagamento de cestas básicas ou multas, enquanto as vítimas continuavam expostas ao ciclo de violência. Foi para mudar essa realidade que nasceu a Lei Maria da Penha.
Sancionada em 7 de agosto de 2006, a lei representou um divisor de águas ao reconhecer a violência doméstica e familiar contra a mulher como uma grave violação dos direitos humanos. Sua criação também simbolizou uma resposta do Estado brasileiro após a condenação internacional pelo caso de Maria da Penha Maia Fernandes, que se tornou um marco na luta pelos direitos das mulheres.
Desde então, muita coisa mudou. A legislação passou a reconhecer que a violência vai muito além da agressão física e pode se manifestar de diferentes formas: psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ao longo desses 20 anos, novas medidas foram incorporadas para ampliar a proteção às mulheres e tornar mais rápida a atuação do Estado diante das denúncias.
Mas a construção de uma sociedade livre de violência não depende apenas da existência de uma lei. Ainda existem desafios importantes, como ampliar o acesso aos serviços especializados, fortalecer as redes de acolhimento e garantir que todas as mulheres, independentemente de onde vivem ou de sua realidade social, tenham acesso à proteção e aos seus direitos. É por isso que campanhas como o Agosto Lilás continuam sendo tão necessárias: elas nos lembram que informar, acolher e prevenir também são formas de proteger vidas.
Reconhecendo as múltiplas formas da violência
Quando se fala em violência contra a mulher, é comum que a primeira imagem que venha à mente seja a de agressões físicas ou lesões visíveis. Mas a violência nem sempre deixa marcas no corpo. Muitas vezes, ela começa de forma silenciosa, em atitudes que podem parecer isoladas, mas que, aos poucos, comprometem a autonomia, a autoestima e a liberdade da mulher.
O controle constante do celular, as humilhações, o isolamento de amigos e familiares, a manipulação emocional e o controle do dinheiro são alguns exemplos de comportamentos que também caracterizam violência. Embora não deixem hematomas, essas atitudes provocam impactos profundos e podem fazer parte de um ciclo que tende a se intensificar ao longo do tempo.
Foi para reconhecer essa realidade que a Lei Maria da Penha passou a prever cinco formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Anos depois, a legislação brasileira avançou novamente ao tipificar a violência psicológica como crime, reforçando que ameaças, chantagens, constrangimentos, humilhações e outras formas de abuso emocional também são graves violações de direitos.
Apesar desses avanços, muitas mulheres ainda têm dificuldade para identificar os primeiros sinais da violência ou reconhecer que determinadas situações configuram abuso. Em muitos casos, a ausência de marcas físicas faz com que a própria vítima minimize o que está vivendo ou encontre barreiras para ser acolhida e acreditada. Por isso, campanhas como o Agosto Lilás cumprem um papel fundamental ao ampliar o conhecimento sobre os direitos das mulheres, incentivar a denúncia e fortalecer a cultura do acolhimento.
Reconhecer essas diferentes formas de violência é um passo essencial para interromper o ciclo de abusos antes que ele evolua para situações ainda mais graves. Informar, acolher e acreditar no relato das vítimas são atitudes que podem salvar vidas e fortalecer uma rede de proteção baseada no respeito, na dignidade e na garantia dos direitos de todas as mulheres.
Violência psicológica
Você já ouviu frases como "você não serve para nada", "ninguém vai acreditar em você" ou "se me deixar, eu acabo com a sua vida"? Humilhações, ameaças, chantagens, manipulação, controle, isolamento e qualquer comportamento que provoque sofrimento emocional ou diminua a autoestima da mulher são formas de violência psicológica. Desde 2021, esse tipo de violência também é considerado crime no Brasil.
Violência patrimonial
Acontece quando o agressor controla ou destrói os recursos da mulher para mantê-la dependente. Reter documentos, esconder cartões bancários, impedir o acesso ao próprio dinheiro, destruir objetos pessoais ou instrumentos de trabalho e controlar os bens da vítima são exemplos dessa forma de violência.
Violência moral
É caracterizada por ataques à honra e à reputação da mulher. Calúnias, difamações, injúrias, acusações falsas e ofensas que buscam desqualificar a vítima, seja no ambiente familiar, profissional ou nas redes sociais, também configuram violência.
Violência sexual
Ocorre quando a mulher é constrangida, intimidada, ameaçada ou forçada a praticar qualquer ato sexual sem o seu consentimento. Também inclui situações em que seus direitos sexuais e reprodutivos são limitados ou desrespeitados.
Mais do que conhecer esses conceitos, é importante lembrar que nenhuma dessas situações deve ser naturalizada. A informação é uma ferramenta de proteção e pode ajudar mulheres, familiares, amigos e toda a sociedade a reconhecer os primeiros sinais da violência, interromper o ciclo de abusos e fortalecer uma cultura de respeito, acolhimento e garantia de direitos.
Romper o isolamento fortalece a rede de proteção
Uma das estratégias mais comuns da violência contra a mulher é o isolamento. Aos poucos, o agressor pode afastar a vítima da família, dos amigos e dos colegas de trabalho, controlar seus deslocamentos, limitar seu acesso ao dinheiro e fazer com que ela se sinta cada vez mais sozinha. Esse processo não acontece de uma única vez. Ele costuma ser gradual e faz parte do ciclo da violência, tornando a mulher mais vulnerável e dificultando o pedido de ajuda.
A Lei Maria da Penha reconhece essa realidade ao definir a violência psicológica como qualquer conduta que cause dano emocional, diminuição da autoestima ou limite a liberdade da mulher, incluindo o isolamento e a restrição do direito de ir e vir.
Com o passar do tempo, muitas mulheres passam a acreditar que não conseguirão sair daquela situação sozinhas. O medo, a dependência financeira, as ameaças e a falta de apoio podem enfraquecer a capacidade de reação da vítima e dificultar a decisão de romper o ciclo da violência. É justamente nesse momento que uma rede de apoio faz toda a diferença.
Essa rede começa, muitas vezes, pelas pessoas mais próximas. Familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho e da universidade podem ser o primeiro espaço de acolhimento, escuta e orientação. Um gesto de apoio, uma conversa sem julgamentos ou o incentivo para buscar ajuda podem representar o início de uma nova trajetória.
Ao mesmo tempo, existe a rede formal de proteção, composta por delegacias especializadas, serviços de assistência social, unidades de saúde, centros de referência e pelo sistema de Justiça. Esses serviços têm o papel de acolher, orientar, garantir medidas de proteção e assegurar que os direitos das mulheres sejam respeitados.
O Agosto Lilás reforça a importância de fortalecer essas duas redes. Afinal, enfrentar a violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva. Quanto mais informação, acolhimento e acesso aos serviços de proteção houver, maiores serão as chances de romper o isolamento imposto pelo agressor e garantir que nenhuma mulher enfrente essa situação sozinha.

A reiteração desse ciclo fragiliza a capacidade de reação da vítima, promovendo o fenômeno do desamparo aprendido, no qual a mulher percebe a situação de abuso como insuperável sem auxílio externo.

Fluxo de Acolhimento e Proteção à Vítima
A Rota Crítica ilustra a transição do isolamento para a autonomia: o apoio da rede informal (família e comunidade) acolhe e reduz o estigma, enquanto a rede formal (órgãos públicos) assegura a proteção jurídica e os direitos da vítima.
Autor do conceito: Montserrat Sagot
Onde buscar ajuda
Se você ou alguma mulher que conhece está vivendo uma situação de violência, saiba que não é preciso enfrentar esse momento sozinha. Existem serviços gratuitos e especializados preparados para acolher, orientar e oferecer proteção.
Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
Canal gratuito, confidencial e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. O serviço oferece orientações sobre os direitos das mulheres, informações sobre a rede de atendimento e encaminhamento para os serviços de proteção mais próximos.
Em situações de emergência – Ligue 190
Se houver risco imediato ou a violência estiver acontecendo naquele momento, acione a Polícia Militar pelo telefone 190.
Procure a rede de atendimento da sua cidade
Você também pode buscar apoio nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS e CREAS) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Esses serviços podem oferecer acolhimento, orientação, encaminhamento e acesso aos direitos previstos na legislação.
Para enfrentarmos a violência doméstica com eficácia, precisamos compreender que a rede de apoio opera em duas dimensões vitais e complementares: a rede informal, composta por familiares, amigos e vizinhos, que atua na acolhida sem julgamentos e serve de ponte para o pedido de socorro; e a rede formal, estruturada pelo Estado por meio das delegacias especializadas, do Judiciário e da assistência social, responsável por garantir a proteção jurídica e a integridade da vítima.
Ações como o Agosto Lilás reforçam essa engrenagem ao romper o isolamento da mulher pelo conhecimento dos seus direitos.
Mais do que uma campanha, o Agosto Lilás é um convite para que toda a sociedade assuma seu papel na prevenção, no acolhimento e no enfrentamento da violência contra as mulheres, fortalecendo redes de apoio capazes de salvar vidas.
Acompanhe a campanha ao longo do mês
Esta é a primeira de uma série de publicações especiais do Agosto Lilás. Ao longo de agosto, a Secretaria de Inclusão (SIN/UFG) continuará trazendo informações, reflexões e conteúdos sobre a campanha, reforçando a importância da promoção dos direitos das mulheres e do enfrentamento à violência de gênero. Acompanhe os canais oficiais da UFG e da SIN e faça parte dessa mobilização. Informar também é uma forma de prevenir a violência, fortalecer redes de apoio e promover uma cultura de respeito, equidade e proteção às mulheres.
Referências
Agosto Lilás: mês é dedicado a combater o feminicídio. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com. Acesso em: jul. 2026.
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